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sábado, 24 de abril de 2010

Uma poesia recém saída do forno: España

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Canto de amor



     Há exatos 36 anos eu chegava a esta Ilha, depois de atravessar a hoje inoperante Ponte Hercílio Luz – o cartão de visitas de Florianópolis. Era Carnaval e, naquele tempo, havia uma pureza de cidade interiorana que contrastava com os abusos que havia nas ruas centrais de Porto Alegre, cidade de onde eu saí.
     Esse dia 19 de fevereiro de 1974 ficou marcado na minha vida como uma espécie de “divisor de águas” que alterou os acontecimentos , numa espécie de efeito dominó, trocando uma monotonia a que eu estava habituada, desde muitos anos, para um delicioso torvelinho de experiências e realizações.
     Para quem jamais havia participado de qualquer evento que não envolvesse o mesmo circulo de amigos e parentes, sempre em reuniões familiares, tradicionais e previsíveis, minha cerimônia de debutante na vida social florianopolitana, aos 36 anos de idade, foi ensaiando o desfile das moças candidatas ao título “Garota Turismo de Florianópolis/74”, no Lira Tênis Clube.
     Fui levada a essa tarefa por um novo amigo que eu fizera, Vicente Impaléa Neto, na época Relações Públicas da Prefeitura.  Muito extrovertido, simpático e criativo, Vicente me anexou ao seu grupo de eventos sociais e esportivos e, dali para outras atividades foi inevitável. Houve, então, esse concurso do Lira e eu estava só olhando o meu amigo que tentava orquestrar o desfile, mas era sensível sua inexperiência. Muito “metida”, comecei a dar opiniões. A certa altura, ele vira-se para mim e diz: “vem aqui fazer...”
     E eu fui...  não é que deu certo?
    Consegui montar uma coreografia (as meninas eram muito atentas e seguiam minhas orientações) e atingimos uma coordenação satisfatória, dada a minha prática no assunto – que era zero.  Alguns anos depois, fiz o mesmo no SESC por ocasião de um concurso da Mais Bela Comerciária e, mais outro na escola da minha neta mais velha. Agora mais tarimbada...
     Depois dessa intromissão na área das passarelas, fazer amizade com o pessoal de teatro, artistas plásticos, jornalistas e uma incontável série de vernissagens, estréias e, ainda, oportunidades para atuar em diversas frentes sócio-culturais um mundo novo abriu-se para aquela mulher sem perspectivas
que havia descoberto uma ilha cheia de portas e janelas abertas, como se a estivessem esperando para mostrar seus  encantos, amigos, amores e magia – muita magia...
     Florianópolis, minha Ilha amada, sou grata por haver sido aceita pelo teu povo.  Hoje e sempre eu digo com sincero orgulho: metade da minha vida é tua!
     Obrigada, minha Ilha!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Alma vazia

Quando eu sofria em versos;
chorava rimas sutis,
meus amigos aplaudiam
cada palavra sofrida
viam o poeta em mim.
Hoje não sofro, nem choro,
versos não sei fazer mais.
Não é engraçada esta vida,
que nos dá forças estranhas,
nas horas que precisamos,
nos momentos cruciais?
Às vezes me dá vontade
de amar de novo e sofrer
rolar na cama vazia
desejar até morrer,
só prá fazer poesia
poesia de verdade
e me sentir renascer...

EFÊMERO

Nos olhos novo brilho
o sorriso puro cristal
no sonho adolescente
sabor de nova ilusão
mostrando que nada é igual.
Talvez dure um segundo
talvez, mesmo, um século
não importa o tempo neste mundo.
Mesmo a borboleta efêmera
em sua vida breve
enfeita e poliniza um jardim.
Não será a eternidade
que vai alterar um sentimento
nada dura tanto assim.
Deixar correr a brisa leve
Mas deixar passar o vento,
nada disso importa
se tiver amor no coração
amor tranqüilo e sincero,
pois quando bate à nossa porta
sentimento tão profundo
manda a efêmera paixão
procurar outro parceiro.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Por que?

Por que me reduziste a nada?
O que fiz senão te amar?
Uma vida que ficou fanada
por se entregar e tudo aceitar.

Hoje sou sombra de mulher,
penumbra que antes era sol.
Agora finalmente posso ver
que o amor sonhado não foi total.

Promessas são algemas torturantes
paz de um futuro que não pode ser
pensamentos de fuga tão constantes.

Pedidos de perdão, palavras ocas
insatisfação total, vontade de morrer
- e o gosto de derrota em nossas bocas.

Delirio


Formas amorfas que se esvaem
- imensuráveis
Perdidas e intangíveis
- sem domínio.
Em delírios formidáveis
Entre oníricas sensações
Diluem-se as cores
Imersas nesse caos.
Consciente no meu inconsciente
Busco e recuso proteção;
Debato-me como feto impotente,
No âmago uterino tolhedor,
Simulacro a que me apego
Em ânsia egocêntrica
De me encontrar.
O ar que respiro me sufoca
Pressinto ou quase sinto
Forma e cor a me envolver.
Tentáculos que resistem
À minha resistência,
Na luta do sobreviver
Num mundo todo meu.
Visão atordoante,
Eco dos sonhos não realizados
Abraço-me a meu corpo,
Na busca do meu EU.
- das formas esvaídas;
Das cores diluídas,
Na angústia da procura,
Corta célere o espaço
Meu grito lancinante
Perdido no Infinito